POR QUE VENCEREMOS?

À medida que a percepção da realidade se torna mais clara, ou talvez menos obscura, vamos readequando nossas prioridades. Vamos mudando de prateleiras determinadas caixas que estavam nos lugares errados, digamos assim. E vamos removendo umas e inserindo outras novas.


Uma das que deve ser reposicionada é aquela da preservação da vida. Se hoje está numa das mais altas prateleiras para a maioria de nós, deve descer muito. Perto de outras considerações trata-se de algo irrelevante. É difícil fazer isso mas aos poucos podemos conseguir.

Quando se desce essa caixa, outras descem junto por obrigação lógica.


A necessidade de conforto, por exemplo. O orgulho pessoal, o "se levar a sério", desce também.

A vida não pode ser mais importante que a nossa honra, que a nossa defesa da verdade, que Deus e seus preceitos. Assim deve se estabelecer os nossos arquétipos morais, ao menos, e que lutemos para internalizar isso da melhor forma possível.


Deve ser uma luta constante pois o instinto de auto-preservação é um importante imperativo animal. E curiosamente quando negamos esse lado animal ascendemos como seres humanos.

Na excelente série "Band of Brothers", da HBO, aparece um personagem que é muito legal. Culto, educado e extremamente eficiente, é um tenente que acaba promovido a capitão. Seu nome é Ronald Speirs.


Ao ver um soldado chorando no fundo de uma trincheira enquanto a artilharia pesada alemã destroçava o terreno ao seu redor, Speirs explicou a ele o que havia aprendido com os imperadores romanos.


Que o soldado ficou com medo por não perceber uma realidade fundamental. Que ele já estava morto. Uma vez aceitando essa realidade ele se livraria do fardo da preservação da vida e poderia funcionar de maneira ótima.


Para quem está conhecendo esse conceito pela primeira vez pode surgir um certo incômodo, a percepção de que se trata de um exagero que poderia levar à desumanidade e crueldade. Explico que não é assim.


Quando um cruzado se ajoelhava antes do combate e entregava sua vida a Deus, ele estava fazendo a mesma preparação emocional. Não é desumanização, é reorganização de caixas. E tal mudança ajuda na sobrevivência do soldado e na vitória do exército.


Numa ocasião o tenente Speirs teve que substituir o lider de uma companhia, que se encontrava chorando em estado de choque atrás de um monte de feno. O sujeito era um imbecil, acima de tudo. Speirs foi até lá, assumiu o comando, organizou as coisas rapidamente e percebeu que eles teriam que combinar uma ação com outra companhia que se achava do outro lado da cidade de Foy, que era o alvo do ataque que estavam empreendendo.


Após comentar essa necessidade com os soldados ao seu lado, a figura pediu que esperassem e saiu correndo direto para a cidade. Passou por diversos soldados alemães que, atônitos, nada fizeram. Chegando no meio do caminho o tenente começou a receber fogo alemão, sempre crescente. Nenhuma bala o atingiu e ele pulou a mureta que separava as tropas alemãs da unidade aliada e fez o que devia.


Até aí estamos falando de uma barbaridade completa. Um feito de audácia inacreditável. Os soldados alemães estavam comentando entre si tamanho absurdo, quando o impossível aconteceu.


O tenente pulou o muro e correu de volta para a sua posição. Desta feita os alemães não vacilaram e mandaram bala de todos os lados. Pistolas Luger P-08, metralhadoras MP-40, fuzis Mauser Karabiner 98, o que estivesse disponível estava disparando contra o maluco americano.

Os segundos se passaram em câmera lenta, as balas zunindo e ricocheteando numa cacofonia assustadora, e Speirs seguia sua corrida, firme e confiante.


E chegou, sem um arranhão, de volta à sua posição. Agora em coordenação com seus aliados, sua companhia atacou e neutralizou as forças inimigas. Dezenas de vidas foram salvas e a posição foi conquistada.


Temos que olhar para esses exemplos e neles devemos nos inspirar. Tais histórias devem ser contadas aos nossos filhos e netos. De preferência acompanhadas de arminhas de brinquedo.

Temos que colocar a possibilidade de usar violência, verbal ou física, na defesa dos nossos valores. Temos que abandonar a ridícula postura hiper-pacífica de bovinos obedientes. Temos que nos tornar perigosos.


Quanto mais perigosos formos, mais seguros estaremos. Isso é mais que urgente, é a coisa mais importante a fazer.


Por: Eduardo Vieira

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